Uma história de obstinação até a conquista da vaga

Última Atualização - 23/03/2016

Folha Dirigida

Conquistar uma vaga no serviço público é um sonho que milhares de concurseiros espalhados por todo Brasil têm em comum. Em alguns casos, esse desejo pode parecer distante quando a pessoa pensa na grande concorrência dos concursos e nas condições de preparação, diferentes entre os candidatos. No entanto, quem já conseguiu alcançar esse objetivo sempre orienta que é preciso muita determinação para enfrentar as dificuldades que, de fato, surgirão no caminho.

No caso de Nailson Araújo de Oliveira, não foram poucos os obstáculos. Atualmente servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 2° Região (TRT-SP), em São Paulo, até conseguir esse status teve que lidar com o preconceito pela idade e pelo histórico escolar. Além disso, ouviu de muitos que não atingiria seu objetivo e, por muito tempo, teve de conviver com palavras que pretendiam desencorajá-lo, como sonhador e lunático. No entanto, não se deixou abalar e buscou cada vez mais uma evolução profissional.

Há quatro meses atuando como técnico judiciário na área administrativa, na especialidade de Segurança, do TRT-SP, ele diz que sua busca por um cargo na esfera federal não foi fácil. Na época, morador do interior da Paraíba, as condições de estudo que lhe eram proporcionadas não o favoreciam. No entanto, mesmo assim ele persistiu. "Eu sou do interior da Paraíba e as dificuldades para estudar eram grandes. Passei cerca de 25 anos sem estudar e voltei estudando já para concurso, só que em casa mesmo. Eu tinha um sonho de ir para o Exército e fui para João Pessoa servir. A condição financeira apertou um pouco e minha esposa me deu a ideia de voltar aos estudos."

Aos 44 anos e atualmente realizado por chegar a situação profissional em que se encontra, Nailson relembra as dificuldades que enfrentou para chegar a um nível de preparação que o habilitaria a concorrer a uma vaga pública. Ele teve de começar do zero, pois parou de estudar na 6° série do ensino fundamental. Logo, se considerava praticamente um semi-analfabeto, pois, segundo ele, só sabia ler e escrever muito mal. O sonho era cada vez mais distante, mas ele precisava tentar.

Os motivos que o levaram a optar por um cargo público são comuns a várias outras pessoas que alimentam fazer parte desse grupo trabalhista da esfera federal. As incertezas dos empregos nas empresas privadas e os atrativos de um cargo público foram colocados na balança e, apesar de Nailson pensar ser o caminho mais longo e distante, pesou mais a estabilidade que o setor público oferece.

"Sempre trabalhei na esfera privada, mas tinha aquele medo de ficar desempregado, até que um dia aconteceu. É muito comum todos falarem que o que vale a pena é fazer concurso público, mas no meu caso, sempre foi uma coisa muito distante. Sabia das vantagens de um cargo público, da estabilidade que de alguma forma te deixa mais tranquilo. Mas, eu via conquistar isso como uma coisa muito difícil mesmo. Porém, coloquei na cabeça que era só focar e querer. Eu sou assim, quando digo que vou fazer uma coisa, faço e acabou. Coloquei na cabeça que uma hora eu iria chegar lá, e aconteceu. Realizei meu sonho."

Ao decidir que conseguiria uma vaga na esfera pública, Nailson começou sua história quando nem mesmo tinha diploma, nem de ensino fundamental e nem de médio. Mesmo assim, segundo ele, conseguiu aprovação em vários processos seletivos de que participou. "O primeiro concurso que fiz foi para a Polícia Civil da Paraíba em 2003, mas não tive sucesso. Só participei para ver como que era. Eu não sabia fazer nada, mas ali vi que era só estudar que dava. Depois fiz o concurso da Fundac, Fundação Casa de São Paulo e para Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) e passei para motorista, só que, nessa época, eu ainda não tinha diploma nem de fundamental e nem de médio."

Nesta época, motivado pelas aprovações e por sua mulher, Shirley Emanuelle Araújo Silva, 35 anos, Nailson fez supletivo para ter os diplomas de ensino fundamental e médio. A partir daí passou a tentar os concursos que exigiam o nível médio. "Para o Ministério Público da União eu bati na trave; o da Justiça Federal da Paraíba, passei, mas não fui nomeado. Já no do Detran da Paraíba, eu passei e trabalhei lá durante seis meses. Depois fui aprovado no concurso para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, mas não fui convocado. Por fim, consegui passar em 51° lugar no concurso para o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, aqui em São Paulo."

Para alcançar o objetivo o agora servidor público, Nailson Araújo de Oliveira teve uma preparação intensa. Como estava desempregado, estudava praticamente o dia todo de 7h às 22h. "Eu me preparei para esse concurso durante sete meses, mas para conseguir uma vaga, um cargo publico, foram pra lá de dez anos de dedicação. Eu estava desempregado e sei que cada um tem seu ritmo, mas eu pegava de sete da manhã até as dez da noite e só fazia pausas para me comer e ir no banheiro. Começava as sete da manhã e ia até o meio dia. Almoçava, pegava de duas às cinco, fazia uma atividade física porque ajuda bastante também. Tomava banho e depois ia de seis às dez."

Hoje morando no município de Jundiaí, em São Paulo, com a esposa e os dois filhos, Nailson está fazendo curso tecnólogo de Serviços Jurídicos e Notoriais. ele defende que manter a mente funcionando é importante para não ficar para trás no mercado de trabalho e quando se trata de concurso público é preciso ter muita determinação para conseguir o objetivo. "O concurso é como uma atividade física, uma escada. Se você para de subir, os outros vão passar a sua frente. O importante é não parar, você só para quando subir e atingir o seu objetivo. Então é foco, determinação e não parar. Se você tiver determinação você não vai parar."