Após ameaças, juiz responsável pela Lava Jato no Rio tem segurança reforçada

O presidente do TRF2 manifestou preocupação diante de ameaças que foram feitas ao juiz Bretas

O juiz Marcelo Brettas, responsável pelos processos da Operação Calicute, que prendeu o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, teve a segurança reforçada. A polícia tenta identificar um homem que estaria recolhendo informações sobre os hábitos do juiz na sede da Justiça Federal e também na vizinhança da caça dele. Marcelo Brettas, agora, só se desloca em carro blindado e com escolta armada de agentes federais de segurança do Poder Judiciário.

A medida foi autorizada tendo "em vista a notória repercussão dos processos", conforme portaria assinada na última sexta-feira, 7, pelo desembargador, e atendeu pedido do juiz.

Eles fazem uma reunião na tarde desta segunda-feira no prédio da Justiça Federal, no centro do Rio. Fontes foi manifestar o apoio institucional da segunda instância ao trabalho da 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Após o encontro, está prevista uma declaração à imprensa.

O desembargador foi eleito presidente do tribunal para o biênio 2017/2019 em fevereiro deste ano, com início do mandato em abril.

Ameaças

O presidente do TRF2 manifestou há pouco preocupação diante de ameaças que foram feitas ao juiz Bretas. Fontes, porém, não quis dar detalhes sobre as ameaças nem de quais medidas foram tomadas.

"O tribunal está atento à situação do juiz Bretas. Esse talvez seja um dos maiores desafios que o tribunal enfrenta hoje. Vim aqui simbolicamente dizer a todos que essa preocupação que paira sobre o juiz hoje também é preocupação do tribunal", afirmou em rápida declaração à imprensa ao lado de Bretas.

O titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio afirmou que os processos irão correr normalmente. "Ainda mais agora com apoio explícito do tribunal, estou muito à vontade para tocar o processo. Não há nenhuma preocupação que não seja totalmente contornável com esse apoio. Temos todas as condições de tocar o processo e as questões que são submetidas a nós", disse Bretas.

O juiz já tinha começado a andar com escola e carro blindado em fevereiro depois que pessoas teriam buscado informações sobre a rotina do juiz no prédio onde fica a 7ª Vara Federal Criminal do Rio, na avenida Venezuela, na zona portuária. O mesmo ocorreu na casa do juiz.

O desembargador afirmou que quis deixar clara a sua "solidariedade e preocupação diante de desafios e ameaças à figura do juiz".

O presidente do TRF2 afirmou também que esperar a colaboração de todos. "Procurem dar a devida atenção ao problema dentro da perspectiva social da imprensa e que toda sociedade brasileira possa reconhecer esse papel importante num momento desafiador como o que enfrentamos atualmente", afirmou.

Ele pediu ainda que "a boa imagem da Justiça" seja preservada "porque ao fazermos isso preservamos a sociedade brasileira que neste momento está a aguardar uma decisão da Justiça sobre os acontecimentos que têm sido relatados".

Fonte: Estadão